Um pouco sobre a “Guerra Cibernética”

Dos recentes acontecimentos, o que mais tenho acompanhado é a “guerra cibernética” entre a indústria do entretenimento, sobretudo americana, e a população que possui acesso a internet e faz downloads de conteúdos pertencentes a essa indústria. Neste texto irei falar meio a respeito do que está acontecendo, o porquê dos Estados Unidos estarem interessados nisso, um pouco sobre o Brasil e o projeto de lei Azeredo.

1) Ao fim da Guerra Fria, no início dos anos 90, os Estados Unidos não possuem um inimigo concreto que possa ameaçar sua hegemonia. O que acontece é que há um país hegemônico (EUA) e alguns outros países num nível secundário, mas ainda assim, fortes economicamente ou militarmente, como Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia.
De acordo com o que li ao longo do meu curso na faculdade e de algumas outras coisas que pesquisei, os Estados Unidos necessitam de algo para provar que são fortes, ai entra o papel da guerra e a necessidade de espalhar a “democracia” e o capitalismo, sendo estes termos maquiagens para expansão de influência e busca por recursos valiosos como petróleo. Daí a necessidade de sempre ter um inimigo (socialismo, índios, narcotraficantes, terroristas e agora as pessoas que compreendem todo o sistema e se posicionam contra ele).

2-) O mundo pós-Guerra Fria é quase que totalmente globalizado e influenciado pelo capitalismo americano, sendo assim, é complicado para os Estados Unidos driblar a opinião pública e a democracia+liberdade e atacar um país sem um motivo válido, aí entram as teorias da conspiração acerca do 11 de setembro e a história de quando nem a decisão da ONU pode impedir os ianques de invadirem o Iraque alegando a existência das inexistentes armas químicas, biológicas e de destruição em massa.
Os terroristas, dessa forma, foram uma boa válvula de escape para a escassez de inimigos, afinal não estão assentados num único país e  não são um único grupo.
Coreia do Norte e Irã vão além da necessidade americana de fazer guerra, são países que ameaçam a segurança de Estados aliados dos Estados Unidos em suas regiões (Coreia do Sul e Israel) e favorecem a influência ianque economicamente, culturalmente e militarmente.

3-) Nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, o lobby é legal; ou seja, faz parte do processo político que pessoas ou grupos possuem o direito de interferir diretamente nas decisões do Poder Legislativo. No Brasil não há nada regulamentado a respeito.
Políticos como os que apoiam o SOPA e o PIPA são muitas vezes financiados ou fortemente relacionados com os lobistas da indústria do entretenimento estadunidense.
Para se ter ideia, os grupos a favor do SOPA e do PIPA doaram US$ 14 milhões aos senadores, enquanto os grupos contra os projetos doaram US$ 2 milhões.

4-) O SOPA (Stop Online Piracy Act) e o PIPA (Protect Intellectual Property Act) são dois projetos de lei que visam combater a pirataria na internet. Esses projetos são financiados pela indústria do entretenimento estadunidense (Universal, Sony, Warner Bros, EMI, etc), que deixaram de vender seus produtos em razão do compartilhamento de seus produtos entre os usuários da internet.
O SOPA é um projeto de Lamar Smith, político republicano do Texas, e alguns outros políticos. O projeto visa principalmente bloquear sites que contém conteúdo ilegal dessas empresas, mas também bloquearia outros sites relacionados aos que compartilham os produtos, como Google, Facebook, Youtube, Twitter, Mozilla, Zynga, entre outros. A pena para os que infringirem o  SOPA iria até 5 anos dependendo da quantidade de produtos compartilhados. (O SOPA foi suspenso mas não cancelado).
O PIPA pelo que li em alguns sites funcionaria criando uma espécie de redoma na internet americana, impedindo que sites americanos enviassem ou recebessem produtos ilegais, este será votado hoje, dia 24 de janeiro de 2012.

5-) Não pense que projetos de lei para censurar a internet é coisa de americano, no Brasil há alguns anos, foi posto em pauta o projeto de lei Azeredo. O projeto visaria criminalizar 13 ações cibernéticas como compartilhamento de arquivos e tornaria necessária a identificação de todos aqueles que usassem a internet no Brasil. O projeto foi definido como censura pelo então presidente Lula e foi deixado de lado, na época, 2008, uma petição online coletou mais de 70 mil assinaturas. O projeto de lei foi deixado de lado principalmente por estar aberto a diversas interpretações.

6-) O Anonymous é um grupo formado por usuários que frequentam fóruns diversos pela internet e possuem conhecimento considerávelmente superior ao da maioria sobre computadores e tudo a ele atrelado. O Anonymous não tem uma sede, os membros apenas se encontram em diversos sites e organizam suas próximas ações, esses sites podem ser de diversos países, não necessariamente estadunidense ou europeu ou australiano.
Ao contrário do que se pensa, os Anonymous não se organizam apenas contra os Estados Unidos, mas sim contra tudo e todos aqueles que ameaçarem a liberdade de expressão em todas as suas intâncias.
Por atacarem diversos órgãos, não terem sede, serem de diversas nacionalidades e serem um tanto quanto incompreendidos, às vezes são chamados de “terroristas cibernéticos”.

Uma vez que o compartilhamento de produtos da indústria do entretenimento americano é uma certa ameaça à economia estadunidense (como se a pirataria na internet fosse culpada por todos os problemas e protestos que estão ocorrendo pelo mundo…), os Estados Unidos resolveram atacar. O primeiro registro desse ataque que tenho notícia é o Napster, em 2001, antiga rede de compartilhamento de músicas.

Dessa forma, para manter o sistema funcionando, é necessário barrar toda e qualquer ameaça, como o que ocorreu diversas vezes na história estadunidense por meio de ações militares no mundo inteiro, os Estados Unidos estão atacando os internautas por meio de projetos de lei que ameaçam a liberdade de expressão de usuários pelo mundo.

Os usuários, por sua vez, possuem sua força armada também, a própria internet, usando ela para divulgar informações, compartilhar ainda mais produtos ilegais e atacar os sites e lojas virtuais das empresas em questão. Nisso entra o grupo Anonymous, que seria a “força de elite” dos usuários de internet. Esse grupo que possui conhecimento avançado de como a internet funciona ataca em cheio os que ameaçam a liberdade de expressão por meio dos projetos SOPA e PIPA, tal como ocorreu com os sites do Departamento de Justiça americano, da CBS, da Universal, de Copyrights, FBI, entre outros. Alguns países e empresas estão ao lado dos “compartilhadores de produtores ilegais”, como Google, Facebook, Wikipedia, Pirate Bay, WordPress, Craiglist, IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e o Uruguai, que no dia 23 de janeiro tornou gratuitas todas as conexões no país.

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, está em seu último ano de mandato e deseja ser reeleito, mas ao mesmo tempo precisa satisfazer os desejos políticos dos lobistas. Para isso publicou que iria contra o SOPA e tudo aquilo que ir contra a liberdade de expressão – assim caindo nas graças do povo americano, que irá votar em breve. Por outro lado, no dia seguinte, o FBI fechou o site MegaUpload, o 14º site mais popular do mundo e acervo de incontáveis gigabytes de conteúdo ilegal; em razão do fechamento desse site outros do mesmo gênero pararam de compartilhar parcial ou totalmente. No mesmo dia em que o MegaUpload foi fechado o grupo Anonymous atacou os sites que citei anteriormente.

A mídia, por sua vez, deveria divulgar todos os acontecimentos imparcialmente, mas muitos interesses estão em jogo, o que a torna bastante parcial. Pouco se vê e ouve – quando se vê e ouve – a respeito dos movimentos Occupy, da razão dos protestos, como os protestos tiveram origem, o que as pessoas reivindicam e o que o governo está fazendo a respeito.

Muitos estão chamando esses acontecimentos de “3ª guerra mundial” ou “guerra cibernética”, o que eu penso é que ela é apenas um reflexo dos movimentos Occupy, que tiveram bastante visibilidade em razão da internet e dos que compartilharam o que acontecia 24 horas por dia mesmo sem apoio da mídia.

FONTES:

ANONYMOUS Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Anonymous&gt;. Acesso em: 23 jan. 2012.

CARPANEZ, Juliana. Entenda a polêmica sobre o impacto da lei de crimes cibernéticos. Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL651929-6174,00-ENTENDA+A+POLEMICA+SOBRE+O+IMPACTO+DA+LEI+DE+CRIMES+CIBERNETICOS.html>. Acesso em: 23 jan. 2012.

Entenda o que são os projetos de lei antipirataria SOPA e PIPA Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/entenda-que-sao-os-projetos-de-lei-antipirataria-sopa-pipa-3701327 Disponível em: <http://oglobo.globo.com/tecnologia/entenda-que-sao-os-projetos-de-lei-antipirataria-sopa-pipa-3701327&gt;. Acesso em: 23 jan. 2012.

Entenda o Sopa e o Pipa, projetos de lei que motivam protestos de sites Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/01/entenda-o-projeto-de-lei-dos-eua-que-motiva-protestos-de-sites.html&gt;. Acesso em: 23 jan. 2012.

LOBBY Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobby&gt;. Acesso em: 23 jan. 2012.

e mais algumas coisas no meu facebook.

Paulo Henrique Dragoni

Agradecimentos ao leitor e colega Alan, que me deu a ideia para o texto, e à minha amiga de faculdade Nô, que me ajudou com algumas correções no texto.

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Um pensamento sobre “Um pouco sobre a “Guerra Cibernética”

  1. Boa PH, um bom apanhado geral sobre o que está acontecendo.
    Abraços.

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